No final do século XIX, os trabalhadores chineses na América caíram à condição de cidadãos de terceira classe. A discriminação e os conflitos contra eles se intensificavam cada vez mais entre a população, e os ataques tornavam-se cada vez mais frequentes. No bairro chinês de São Francisco, casas de ópio e cassinos proliferavam, misturando-se associações secretas, guildas e pessoas de toda espécie. Até que, certo dia, Chen Zhengwei desceu do navio com um sorriso radiante no rosto. "Gosto do cheiro de pólvora que paira no ar deste lugar." "Atravessei metade do mundo para chegar aqui, e certamente não foi para trabalhar nas minas."
O chão e as paredes tremiam sob seu corpo, o som das ondas batendo, o fedor de urina, fezes e podridão arrancaram Chen Zhengwei de um sono profundo.
— O que está acontecendo? — murmurou, tapando o nariz, enquanto abria os olhos e examinava o ambiente. Estava em um espaço escuro e abafado, iluminado apenas por alguns raios de luz que se infiltravam pelas frestas de madeira acima de sua cabeça, permitindo que enxergasse minimamente ao redor.
O lugar tinha cerca de vinte metros de largura e cem de comprimento, abarrotado com centenas de pessoas. Vestiam roupas de algodão grosseiras, sujas, cabelos desgrenhados ou presos em tranças, amontoados de forma caótica.
— Estou em um navio? — Logo percebeu onde estava.
Uma enxurrada de memórias invadiu sua mente, desfilando como cenas de um filme.
— É o navio de imigrantes trabalhadores! — Compreendeu imediatamente.
Era uma embarcação partindo do leste de Cantão rumo a São Francisco, nos Estados Unidos, repleta de jovens entre dez e vinte e poucos anos, todos vigorosos, incluindo ele mesmo. Diferente dos demais, que viajavam sozinhos para tentar a sorte e juntar dinheiro, ele estava fugindo com a família para escapar de problemas.
Olhou para o lado, onde um menino sujo, quase adolescente, estava encolhido ao seu lado, ainda dormindo, segurando com força um pequeno embrulho.
— Droga, como diabos vim parar aqui? — praguejou.
— Está fazendo barulho por quê? Se tem forças, melhor deitar e descansar! — um jovem ao longe, incomodado pelo palavrão, lançou-lhe um olhar irritado.
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