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— Qinghe, feliz aniversário de quarenta anos!
Uma mulher alta e de formas generosas entrou no quarto, trazendo um bolo e um buquê de flores.
Sobre o leito branco do hospital, Chen Qinghe, ligado a um respirador, arfava como um peixe fora d’água, a boca aberta em busca de ar. Estava em estágio terminal de câncer de pulmão, e os médicos haviam dito que lhe restava apenas um ou dois meses de vida.
Ao ver a mulher, Chen Qinghe ergueu com dificuldade o braço com o soro pendurado, puxou o lençol e cobriu o rosto, envergonhado.
A mulher se chamava Yang Yinyun, era sua esposa — ou mais precisamente, fora sua esposa há vinte e três anos.
Aos dezoito anos, vivendo numa aldeia pobre e remota, Chen Qinghe se casou com a jovem camponesa Yang Yinyun, após serem apresentados por um casamenteiro.
No mês de outubro daquele ano, tiveram duas filhas gêmeas.
Mimado pela família, Chen Qinghe era um completo desocupado, que passava os dias em más companhias, metido em pequenos delitos, bebendo e jogando cartas.
Quando voltava bêbado para casa, descontava a raiva na esposa e nas filhas.
Sempre que Chen Qinghe se descontrolava sob efeito do álcool, Yang Yinyun abraçava as duas meninas com toda a força, protegendo-as enquanto apanhava nas costas.
Ainda assim, ela nunca abandonou a família. Todo o amor e esperança que possuía, dedicou às filhas.
Até o dia em que, bêbado, Chen Qinghe atirou a bituca de cigarro na cama e provocou um incêndio.
A cabana de palha ardia em chamas, e as duas meninas morreram queimadas. Chen Qinghe s