Durante um jogo onírico, Su Sorriso atravessou inesperadamente para um novo mundo, cem anos mais avançado que a Terra em tecnologia. Lá, a energia espiritual havia ressurgido há trinta anos e o mundo estava gradualmente entrando numa era de decadência mágica. Su Sorriso substituiu o hospedeiro no instante de sua morte, herdando ao mesmo tempo o poder da imortalidade, embora desconhecesse completamente essa habilidade. Toda vez que morria, esse poder era ativado, mas após cada renascimento, perdia todas as lembranças relacionadas à morte. Um buraco negro de energia espiritual oculto em seu corpo dificultava seu cultivo, ao mesmo tempo que o protegia. A capital sagrada, aparentemente tranquila, estava repleta de perigos ocultos e conspirações. Entre a confusão e a perda constante de memórias, Su Sorriso almejava desvendar lentamente a verdade sobre aquele mundo. Mal sabia ele que tudo fazia parte do plano divino. O mundo era uma gaiola, e nenhum pássaro poderia escapar dela.
— Cinco, quatro, três, dois, um.
Ela inspirou profundamente, ajeitou com cuidado o cachecol em volta do pescoço e escutou o apito do trem se aproximando da plataforma. Correu e saltou. Ao longe, o céu nublado clareava levemente em uma das extremidades, como se sorrisse.
— Programa de Formação da Ordem Divina, iniciado.
...
Sentado diante do computador, lendo um livro, Sorriso Su sentiu um calafrio súbito no coração. Assim que levantou a cabeça, viu uma janela de diálogo surgindo lentamente diante de seus olhos.
— Você deseja atravessar...
Antes mesmo que aparecessem as opções de sim ou não, ele clicou no “x” no canto superior direito e fechou a janela. Era pura prática, nada além disso.
Justamente quando Su, satisfeito consigo mesmo, celebrava sua destreza, a janela misteriosa reapareceu diante de seus olhos.
— Você escolhe o Despertar da Energia Espiritual ou a Era Pós-Magia?
Desta vez, não havia botão de fechar. Olhando para o arquivo intitulado “A Lenda dos Heróis do Despertar Espiritual” no Word, Su riu com desdém e virou o rosto, tentando ignorar a janela.
— Não vão me enganar para ir parar em outro mundo, com certeza estão precisando de mais mão de obra.
Esse tipo de truque já era batido havia mais de uma década; Su sabia exatamente como funcionava — os que viravam protagonistas de livro eram sempre os escolhidos entre milhares. A maioria dos enganados que atravessavam para outros mundos acabava como figurante, sem sequer deixar vestígios de sua existência.
Ele já tinha lido uma história sobre