Capítulo Seis: Monstro Raro, Tesouros à Vista!
Chen Cang e Chen Bingsheng saíram para lavar as mãos e trocar de roupa cirúrgica, pois em seguida havia mais uma cirurgia, e uma vinha logo após a outra.
As cirurgias feitas de forma independente na sala de emergência geralmente não são tão graves, mas são frequentes, e o setor de emergência é sempre cheio de casos, ocupando praticamente o dia inteiro.
O segundo paciente era um homem forte de cinquenta e poucos anos, visivelmente saudável, cuja apendicite foi provocada por churrasco e cerveja. Ele não deu importância ao problema, tomou um pouco de antibiótico e, no dia seguinte, voltou a comer e beber como se nada tivesse acontecido.
Depois, a situação se agravou e desenvolveu uma apendicite supurada.
Só então procurou o hospital, onde Chen Cang o atendeu. A primeira coisa que ele disse foi:
— Doutor, arranca logo esse meu apêndice, vive me incomodando e atrapalhando minha cerveja!
Chen Cang ficou perplexo.
Que lógica era aquela?
Por que parecia até fazer sentido?
Chen Cang explicou pacientemente:
— Foi a bebida e a comida desregrada que causaram a apendicite, não seu apêndice que impede você de beber. É bom ter um pouco de noção de saúde…
O sujeito era mesmo uma peça, segurando a barriga e dizendo com um sorriso:
— Apêndice é supérfluo, tira ele fora; agora, beber, ah, é alegria da vida, sem isso não dá!
Olha só, ainda rimou!
As enfermeiras não contiveram o riso.
Esse cidadão veio para cirurgia ou para contar piada?
Se eu não cobrar pela cirurgia, tudo bem, mas devia cobrar ingresso pelo espetáculo.
Chen Cang não pôde evitar levantar o polegar: conseguir convencer um médico dedicado, de caráter íntegro, com excelentes habilidades técnicas e ética impecável… e ainda balançar minha convicção? Você é mesmo um talento!
Dá vontade até de soltar fogos em sua homenagem.
Deitado na maca, nu, o paciente ainda dizia decidido:
— Doutor, corte e me mostre! Quero ver esse troço que atormentou meu corpo, torturou minha alma, vou levar pra cozinhar e dar pro cachorro!
Chen Cang e Chen Bingsheng suspiraram juntos.
Quando a cirurgia ia começar, Chen Bingsheng disse:
— Este aqui pode ser diferente do anterior. Quando abrir, você vai ver. Fique tranquilo.
Chen Cang assentiu.
Após a anestesia, quando iam começar, o paciente exclamou:
— Doutor! Espere!
Chen Cang se assustou:
— O que foi?
O paciente, constrangido, sorriu:
— Dá pra fazer o corte com cara de linha dura? Isso, aquele tipo que parece que levei uma facada mesmo?
Chen Cang pensou: quer aprontar, né?
Vai sair dizendo pra jornalista que foi vítima de erro médico: “Paciente operado do apêndice ganha cicatriz artística, seria isso decadência moral ou desvio de conduta?”
O paciente pigarreou:
— É que depois quero contar vantagem, dizer que levei uma facada, doeu pra caramba e não soltei um pio, depois levei trinta e seis pontos! Nas rodas de cerveja, levanto a camisa, mostro a cicatriz, muito mais estiloso que tatuagem!
Chen Cang o ignorou.
Comediante.
Agora virou improviso.
O tempo da anestesia estava contado, e Chen Cang iniciou a cirurgia.
Fez a incisão de McBurney no quadrante inferior direito, cortando a pele em seis centímetros.
Abriu camada por camada até o tecido subcutâneo, nesse momento, Chen Bingsheng se adiantou para eletrocoagular e estancar o sangramento.
Muito bem, o assistente mostrou iniciativa!
Chen Cang lançou um olhar de aprovação para Chen Bingsheng, encorajando-o.
Chen Bingsheng estranhou, arregalou os olhos: está querendo confusão?
Seguiram cortando a aponeurose do músculo oblíquo externo, separando os músculos oblíquo externo e interno, e elevaram e abriram o peritônio para acessar a cavidade.
Foi aí que a cavidade abdominal se revelou diante de Chen Cang.
De fato, como Chen Bingsheng previra, havia algo diferente.
Chen Cang explorava cuidadosamente a cavidade.
Notou que o omento maior estava esverdeado, sem aderências purulentas, o que foi um alívio.
Porém…
No quadrante inferior direito, havia grande quantidade de exsudato purulento.
O ceco estava esverdeado, sem problemas aparentes.
E o apêndice, situado à frente do ceco, era claramente hiperemiado e espessado, visível através do omento maior.
O apêndice estava exposto, em destaque, ainda mais vermelho que o anterior.
As letras “apêndice” em vermelho-escuro pareciam dizer a Chen Cang que esse “monstro” era de nível superior.
Tinha cerca de dez centímetros de comprimento, diâmetro de um centímetro e meio, já em processo de supuração, com alta tensão, base necrótica e perfurada, envolta por gordura que fazia fraca aderência aos tecidos vizinhos.
Chen Cang viu tudo claramente.
“Alerta! Apêndice raro: apendicite aguda supurada e perfurada. Nível 12.”
Chen Cang refletiu:
Se derrotar esse monstro raro, será que cai algum equipamento especial?
Mesmo que não venha equipamento, ao menos ganho mais experiência e dinheiro, não?
Chen Cang expôs totalmente o campo cirúrgico.
Preparou-se para a cirurgia.
— Gaze!
— Pinça hemostática!
— Faça a ligadura do mesoapêndice!
— Aspire o líquido!
Essa cirurgia já não era igual à anterior; o “monstro raro” estava dando trabalho!
O procedimento não era mais simples como antes.
Chen Cang retirou o apêndice, colocou-o na bandeja.
— Fenol 5 ml.
— Algodão com álcool.
— Soro fisiológico 20 ml!
Chen Cang precisava lavar o coto mucoso do apêndice para evitar infecção adicional.
Depois, veio a sutura: para esse tipo de ferida, o método típico era a sutura em “oito”, incluindo o tecido adiposo local para cobertura.
Tudo isso era básico, pura rotina.
Finalização!
Chen Cang lançou um olhar para Chen Bingsheng: o assistente que finalizasse logo!
Por que está me olhando?
Quando você é o cirurgião principal não é sempre esse o olhar?
Chen Cang refletiu: será que não aprendi direito a técnica do olhar?
Chen Bingsheng devolveu o olhar:
— Tá olhando o quê? Termine logo!
Chen Cang reclamou:
— Isso não é serviço do principal? Não é sempre nessa hora que você me entrega tudo?
A instrumentadora Qin Lele não se conteve e caiu na risada:
— Chen, deixa de brincadeira e termina logo!
Chen Cang, resignado, achou que sendo o principal teria postura e autoridade, mas acabou percebendo que continuava sem voz…
Sem alternativa, Chen Cang aspirou os líquidos remanescentes da cavidade abdominal e pélvica, verificou ausência de sangramento ativo, colocou um dreno na fossa ilíaca direita e fez um orifício ao lado da incisão para saída do dreno.
A instrumentadora começou a contar as gazes e instrumentos.
— Tudo certo! — anunciou ela.
Chen Cang fechou a parede abdominal por planos.
Cirurgia encerrada!
“Alerta! Monstro raro abatido: apendicite aguda supurada e perfurada. Experiência +200, reais +200, experiência em apendicectomia +200.”
“Parabéns! Você ganhou uma agulha de sutura (branca)!”
Chen Cang arregalou os olhos, espantado.
Eu… eu… hahahaha, caiu equipamento mesmo!
Agulha de sutura branca?
Para que serve?
Será que é poderosa?
“Agulha de sutura (branca): corte +1.”
Chen Cang ficou confuso.
E daí?
Só isso?
Corte +1, o que será que significa?