O protagonista, Liao Fan, sempre acreditou ter nascido humilde e possuir uma identidade comum, sem imaginar que um acidente em que se machucou acabaria por lhe render uma bênção, fazendo-o descobrir que era neto do mestre do Salão do Rei da Medicina; então, ele começaria uma vida lendária...
— Anda aí, moleque! Anda logo! Aquela porção de ervas lá na frente é sua! — minha mãe me apressava sem parar, enquanto balançava a enxada com vigor.
— Já ouvi! — respondi, sem ânimo.
Mais um dia de trabalho árduo coletando ervas com minha mãe. Sob nossos pés crescia uma vasta extensão de lirio-do-vale selvagem, que não era apenas um mero mato, mas também o sustento da nossa família.
Os tempos eram difíceis. Vivíamos numa região afastada, a produção de grãos era baixa, poucos cultivos econômicos, então a principal renda vinha das ervas medicinais que as montanhas nos ofereciam.
Saímos cedo, comemos um pedaço de pão seco e fomos em busca das ervas. Desta vez, era a raiz de lirio-do-vale que procurávamos, pois estava com bom preço no mercado. Não podíamos desperdiçar essa chance de ganhar algum dinheiro.
Após uma hora, consegui juntar apenas uns poucos quilos, enquanto minha mãe, mais ágil, já tinha colhido mais que o dobro. Eu, franzino, já mal aguentava segurar a enxada; meus braços iam ficando cada vez mais lentos.
Ao notar meu desânimo, minha mãe continuou a me apressar.
Suspirei e perguntei:
— Mãe, quando é que a gente vai conseguir sair dessa vida? Passar os dias assim, colhendo erva, nunca vai nos fazer ricos...
Ela zombou:
— Você, que não gosta de estudar, ainda sonha em ter dias melhores? Deveria se dar por satisfeito se conseguir se sustentar!
Sorri, meio forçado:
— Mãe, não pode me culpar por isso. Nós temos algum talento pra estudo? Meu pai não era bom nos livros, não tem como eu ser diferen