Tang Jincai é uma camponesa de origem humilde, bondosa e de espírito firme. Na primavera de 1960, ela nasceu em Shao Gua Gou, o “paraíso escondido”. Contudo, o destino foi implacável: a inteligente e bela Tang Jincai, logo ao nascer, já foi ameaçada pela fome dos tempos difíceis; logo em seguida veio a morte sucessiva de seus dois pais. Diante de uma realidade cruel e sem piedade, veja como nossa protagonista Tang Jincai enfrenta espinhos e adversidades sem hesitar, conduzindo a irmã e o irmão ainda pequenos para fora das dificuldades da vida. (Este livro é uma light novel de temática rural, que conta uma história de amor no campo ao mesmo tempo bela e comovente.)
O que eu chamo de “Três Cores de Tang” refere-se a pessoas, não a cavalos. Para ser claro, “Três Cores de Tang” é o nome coletivo das três irmãs da família Tang: Tang Jincai, Tang Yincai e Tang Yucai.
Na região oeste de Liao, havia uma pequena aldeia quase desconhecida chamada Vale do Melão. Este vale ficava ao norte do meu vilarejo natal, Vale da Pedra de Mó, separados por uma cordilheira. Por isso, os moradores do meu vilarejo costumavam chamar o Vale do Melão de “Além da Serra”.
Quando as pessoas do Vale da Pedra de Mó queriam ir ao Vale do Melão — por exemplo, para pedir sementes de melão — ou quando os do Vale do Melão vinham até nosso vilarejo — talvez para pedir mudas de berinjela —, todos atravessavam a trilha da montanha no lado oeste da Rocha do Ninho dos Andorinhões.
Essa trilha, na verdade, era apenas um canal de areia branca escavado pela chuva, sem nenhuma vegetação, sinuoso como intestinos de carneiro, que subia e descia serpenteando pelo ponto mais baixo do cume da Serra Grande, indo do Vale da Pedra de Mó até alcançar o Vale do Melão.
O Vale do Melão era cercado de montanhas por todos os lados. Como o nome sugere, sua forma lembrava um grande melão. Ali, as terras aráveis eram poucas, não havia grandes extensões, apenas alguns terrenos em encostas espalhados ao redor do sopé ou pelas meias-encostas das montanhas. Vistos de longe, pareciam as manchas carecas na cabeça de um sujeito chamado “Dois Carecas”. A escassez de terras cultiváveis refletia-se na pouca quantidade de moradores; desde tempos imemoriais até hoje, nunca houve mai