Na caótica cidade do continente Nolan, existe um restaurante singular e estranho. Ali, elfos dividem a mesa com anões, orcs são terminantemente proibidos de fazer algazarra, dragões só lhes é permitido sentar-se em círculo na pequena praça diante do estabelecimento, e demônios precisam trazer seus próprios bancos especialmente adaptados... Contudo, mesmo com regras tão insólitas, há sempre uma longa fila diante da porta desse restaurante. Elfos, esquecendo toda compostura, devoram espetinhos; dragões, empunhando conchas perfuradas, reúnem-se em torno do fogareiro; demônios degustam adoráveis bolinhos... “Não há iguarias como estas em nenhum outro lugar do continente! Este proprietário é um verdadeiro gênio!” — assim comentava um dos clientes, lançando um olhar furtivo em direção à entrada. “E mais: jamais tente raptar o dono ou comer sem pagar. Caso contrário, sua morte será terrível.” “Coma, pague. Do contrário, todos morrerão.” Uma adorável garotinha, de voz pueril, caminhava de um lado para o outro diante do restaurante, o olhar repousando sobre um dragão ali próximo. Ao sentir-se observado, o imponente dragão de cinco ou seis metros estremeceu de medo.
“Pai… pai…”
Shen Maige ouviu uma voz infantil e límpida a chamá-lo, parecia clamar por ele. Seus dedos se moveram levemente e, de súbito, apertaram algo macio; o instinto de sobrevivência irrompeu e, com um ímpeto, sentou-se ereto. Ao abrir os olhos, porém, ficou atônito.
Onde estava ele?
Teria sido resgatado ou… teria atravessado para outro mundo?
Shen Maige ainda recordava de estar, há instantes, em seu iate particular, pescando caranguejos-reis. Para tanto, fizera questão de trazer consigo o chef principal do Palácio Imperial dos Caranguejos. Jamais imaginara que, não só não pescaria o crustáceo, como também, ao ser sacudido por uma onda enquanto se sentava à popa, seria lançado ao mar. Entre a consciência e o torpor, ouviu o grito aflito de uma mulher e o som de um mergulho nas águas; depois, tudo se calou.
Ao despertar, encontrava-se agora num quarto de inconfundível estilo europeu, e a mão que segurava era a de uma garotinha de cabelos prateados, de seus quatro ou cinco anos de idade.
Antes que Maige pudesse dizer qualquer coisa, uma torrente de informações invadiu-lhe a mente, fechando-o à percepção do mundo ao redor. A sensação era semelhante àquele derradeiro instante de asfixia.
Em sua vida anterior, Shen Maige era um jovem herdeiro de certa notoriedade—um daqueles chamados “filhos de magnatas”—que preferia autodenominar-se gourmet. Jamais teve interesse em herdar os negócios da família; sua verdadeira paixão era provar as iguarias mais famosas do mundo e publicar resenhas afiadas no Weibo, onde, pelo tom mordaz e quase de