“Transformei-me numa jovem dragoa, e fui capturada por um dragão malévolo que passou a cuidar de mim. À medida que o tempo de convivência se prolongava, percebi que o olhar do dragão sobre mim tornava-se cada vez mais estranho. Parecia... que ele estava me criando como se fosse sua esposa!” A princesa Lúcia, agora metamorfoseada em uma dragoa juvenil, tremia ao registrar sua descoberta no caderno. —————— O dragão malévolo Lânis, ultimamente, alimentava uma obsessão: desejava que a jovem dragoa que acolhera o chamasse uma vez de “papai”.
“Alteza, o exterior do palácio está tomado por cavaleiros leais à Segunda Princesa. O tempo para vossa decisão é curto, peço que decida logo.”
Foi a derrota. Na disputa pelo trono imperial, Sua Alteza Lúcia acabou por sucumbir diante da princesa Assina. Este desfecho era previsível; em astúcia, talento, perspicácia ou arte política, Lúcia sempre esteve aquém de sua irmã, Assina. Sua única legitimidade para contender o trono vinha do carinho exacerbado que seu pai, o imperador, lhe devotava.
“Eva, não... não há mesmo outra escolha? Para deixar a capital... além de aceitar tua maldição e tornar-me o dragão das lendas, não existe outra saída?”
Oculta sob um manto negro e volumoso, a feiticeira das sombras, Eva, suspirou e meneou a cabeça, olhando para Lúcia.
“Alteza, sem um círculo de teletransporte, sem um pergaminho de passagem, e considerando que vossa segurança após a fuga precisa ser garantida, aceitar minha maldição e tornar-se um dragão... é, no momento, a melhor alternativa.”
Lúcia, de longos cabelos ondulados cor de ametista, mordeu levemente o lábio, e seus olhos, de dourado violáceo, revelaram hesitação e conflito.
Não poderia ser uma maldição que lhe desse asas, apenas? Transformar-se num dragão...
Após breve hesitação, Lúcia assentiu. Eva tinha razão: fugir da capital não bastava, era primordial poder defender-se. A aparência aterradora e imponente de um dragão, sua força descomunal, por si só inspirariam temor e poupariam muitos aborrecimentos.
“Princesa Lúcia, eu a amaldiçoo...”
Eva não hesitou. Diante do