O que é a solidão e de onde ela vem? Tenho dificuldade em entendê-la. Até que um dia encontrei uma nuvem; depois de um olhar profundo e terno entre nós, ela não se atreveu a mostrar a mágoa da partida, porque o destino não pode ser desobedecido, e eu também não me atrevi a estender a mão para tocá-la, com medo de acelerar a velocidade com que ela se transformaria em gotas de chuva e, em seguida, se desfazer na dor como fumaça... Desde então, parece que finalmente entendi por que fiquei tanto tempo preso ao mesmo lugar, sem conseguir me libertar. Talvez não tenha sido só o encontro tão belo — talvez nem aquele instante de atordoamento pertença só a mim!
Não sei quando adormeci, mas tive um sonho em que me via deitado numa cama de sândalo. Diante de mim, sentava-se uma mulher trajando vestes antigas, segurando uma tigela de porcelana preta e tentando me dar um remédio.
Se fosse na vida real, além de ser sensível e rancoroso, eu seria um cidadão absolutamente cumpridor das leis. Mas ali, naquele sonho, um súbito desejo de me libertar das amarras da moralidade tomou conta de mim.
Afinal, tudo ali, tanto as pessoas quanto o cenário, não passavam de criações da minha imaginação. Ninguém seria ferido, ninguém jamais saberia.
Com esses pensamentos ousados, comecei a observar atentamente a mulher que me dava o remédio. Vestia um longo vestido roxo bordado com fios dourados, a pele era alvíssima e os cabelos negros estavam presos com elegância, transmitindo um ar de nobreza e sofisticação. Mas o que mais me cativava era o seu rosto – tão belo que fiquei imóvel por vários segundos, mergulhado num êxtase silencioso.
Num sobressalto, agarrei o pulso dela e a puxei para perto de mim, sem me importar que a tigela de porcelana caísse e espalhasse o remédio por toda a cama.
— Qingfeng... solte-me... você não pode fazer isso...
Não fazia ideia de quem era o nome que ela gritava, tampouco me importava. Após puxá-la para a cama, em poucos movimentos despi todas as suas roupas.
Os pedidos de clemência logo atraíram outros personagens do sonho. Vi sombras se movendo fora da janela, algumas até batiam os pés e esmurravam o peito, enquanto dentro do quarto, a mulher de vestido roxo, sob meu corpo, me