O condenado da família Xie viveu até os cem anos

O condenado da família Xie viveu até os cem anos

Autor: Serenamente

Diz a lenda que, quando a tampa do caixão de um morto não fecha, é porque ele tinha uma obsessão em vida; com o tempo, essa obsessão se torna um demônio interior, e, se não for resolvida, os filhos e netos é que sofrem. O trabalho de Yan Sanhe era ajudar os mortos a desfazerem seus demônios interiores. Um dia, ela foi importunada por Xie Sanye, que dizia ter um demônio interior. Yan Sanhe: coisas de vivos, ela não cuidava. Xie Sanye: todos dizem que eu morro cedo; considere isso uma reserva antecipada. E então, toda a capital ficou boquiaberta: hoje Xie Sanye estava na loja de rouge, amanhã na joalheria. O dono da joalheria: Terceiro Mestre, que encenação é essa? Xie Sanye: conquistando o coração da futura esposa. Espera aí, ele não disse que não ia prejudicar moças a ponto de ficarem viúvas? Quem teve esse azar? Yan Sanhe: eu.

O condenado da família Xie viveu até os cem anos

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Capítulo 1: O Caixão Se Rompe

Prólogo:

Fronteira.

Província de Yunnan.

Yan Sanhe, vestida de luto, ajoelhava-se ao lado do caixão onde repousava seu avô.

O avô partira durante o sono, sem doença nem sofrimento.

Yan Sanhe não sentia tristeza. Sua vida foi cheia de desventuras, mas no final, poder partir assim, de forma tranquila, era como se finalmente tivesse alcançado a paz depois de tanto sofrimento.

Na última noite, Yan Sanhe afastou os demais e ficou sozinha no salão fúnebre.

Amanhã cedo, o caixão seria enterrado, e o laço entre avô e neta chegaria ao fim nesta vida, mas ela ainda relutava em se despedir.

Yan Sanhe lançou algumas folhas de papel branco na bacia de fogo.

Enquanto as chamas dançavam, ela ouviu um pequeno “clack”.

Que som era aquele?

Antes que pudesse entender, ouviu outro “clack”.

Dessa vez, reconheceu: parecia o som de algo se partindo.

Yan Sanhe apressou-se a levantar do chão, pegou a lamparina e aproximou-se do caixão. Ao iluminar, seu coração se inflamou de dor.

O caixão, que há pouco estava bem selado, agora exibia uma fenda.

Essa fenda alargava-se, revelando metade do rosto do avô.

Os olhos de Yan Sanhe arderam e as lágrimas escorreram.

Diz a lenda—

Quando o caixão de um morto não se fecha, é porque há algo que o prende a este mundo; com o tempo, esse apego se transforma em tormento.

Se o tormento não for eliminado, não há descanso sob a terra.

“Avô.”

Yan Sanhe, com a mão trêmula, tocou a madeira partida e murmurou:

“O que ainda te prende?”